quarta-feira, 20 de abril de 2011

Naquele dia...

Naquele dia, a noite foi contaminada pelo desejo ardente daquelas duas almas, os espíritos inflamados eram capazes de ofuscar o brilho da pequena lua. E quem poderia explicar por que mesmo em meio a tantos medos não podemos disfarçar nossa inteira entrega?
Com apenas um olhar eu me sinto nua frente a sua respiração ofegante e sua aparente tranquilidade. Não há como desviar meus olhos dos seus, nossos lábios se entrelaçaram no ar e minha vontade exacerbada me degusta e me devora por completo. Ela me toca com suavidade e ainda assim me traduz toda sua intensidade. Ela me oferece o silêncio como cortesia, mas ainda assim sou capaz de ler todas as palavras em braile nas curvas do seu corpo expostas em um toque, em um beijo, em uma declaração.
Não somos capazes de esperar, de parar, de fingir, de dormir. Inundada por ela, me entrego, me deposito em suas mãos, me ponho a sua frente como menina e como mulher, me revelo nua não somente pela ausência de vestes, mas com a alma desnuda, revelada. Deitada sinto seu toque no íntimo, vejo seu desejo reluzido em suas mãos e reflito meu prazer no som que meus lábios sussurram, no misto de calor e frio incitado em meu ventre e no arrepio que se apodera do meu corpo como seu dono. Quando seus lábios tocam os meus, suas mãos estabelecem um contato infinito com meu corpo, num diálogo em sintonia perfeita que dispensa qualquer tipo de palavras. E para que servem as palavras se não podem descrever o que deveras sinto quando me sinto assim, tão perto de você.
Com a respiração acelerada e tomada pelo desejo que me acompanha com veracidade eu olho nos seus olhos e, mesmo com toda e qualquer escuridão, posso sentir todo meu prazer reproduzido no seu. Somos livres e unidas, arremessadas num espaço sem fim, num novo tempo sem relógio. Somos somente e unicamente você e eu, eu não vejo mais nada, eu não escuto mais nada, porque quando estou em seus braços a certeza que me bate é que de fato não há mais nada que me demonstre valor que não seja o seu calor.
 A madrugada rompe as horas e nós desconhecemos o cessar. O cheiro de amor tem odor feminino e as mulheres se possuem, se degustam, se descobrem, se procuram, se acham, se consomem, numa busca sem fim.

- Merlin


Na Vitrola: Eu Vou Estar - Capital Inicial

Nenhum comentário:

Postar um comentário