quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Mulheres Sem Passado

Antes do nosso encontro
Um poder vegetativo nos comandava,
Não possuíamos passado,
Não tínhamos a ambição de um futuro.
Quando me deparei com o brilho dos seus olhos
Vi a vida nua
Acompanhada com a lua,
Todos sorriam na rua.


Nove meses
O bebê vai nascer,
O nosso amor.
Ele jamais poderá deixar de florescer.
Dia após dia a paixão volta a acontecer.
E quando acho impossível...
O meu amor ainda se faz crescer,
Multiplica-se dentro do meu ser.


Quando eu morrer,
Mesmo se  eu vier a tornar-me a mulher mais rica do mundo
Será inútil o uso de um testamento,
Você roubou e apoderou-se do meu maior bem
Desde o nosso primeiro olhar,
O meu coração.
E hoje, não possuo opção
Minha função vital, ocupação, distração,
É somente te amar.


- Merlin

Na Vitrola: Paixão e Medo - Luiza Possi

Mulher Sem Razão

   Estou correndo num lugar desconhecido. Quando penso que sei onde estou, caio novamente com um novo obstáculo que surge, sem explicação, sem um manual de instrução. Eu já não sei onde estou, quem sou. Uma menina que insiste em seguir presa num corpo de mulher. Meu espírito voa sem abrigo.
   Entre tantos corações apaixonados, amores e desamores, lágrimas e sorrisos momentâneos, me encontro aterrada, atolada entre tantos eus que eu já não posso dominar meu coração. Meus desejos brotam e o peito cheio os põe para fora, cospe e depois degusta o próprio vômito.
   Sonho com a paz, mas ela não pertence ao meu lar. Parece que eu não posso nem ao menos pronunciá-la, pois soaria falso. Eu mesma já não me transmito paz. Hoje quando deito e encosto a cabeça no travesseiro, não durmo, não sonho, apenas apago para esse mundo de mentiras ou verdades que não posso ouvir.
   Procuro uma descrição palpável para tudo que sinto e arraigado a minha alma já se tornou parte da minha essência, caminho através de melodias, letras, versos e poesias, mas não creio mais nas palavras. Elas voam na poeira do tempo e são esquecidas assim como feitos históricos presos apenas nos livros de história.

   Eu não quero a explicação de tudo, não quero saber o certo ou o errado, tudo se confundiu e se fundiu.
Não perco mais o meu tempo em falar, também não perca seu. As pessoas não estão interessadas em ouvir, elas só querem saber o final, o porquê de tudo, o enredo perdeu sua audiência.
   Vazia, oca, quanto mais eu falo, mais magra fico, vou me perdendo do espaço e sumindo do mundo. As palavras são o sangue que falta, a vida que não tenho, mas essas mesmas palavras vão chegando ao fim, pois já não há inspiração, não há o porque então. Tudo tornou-se uma coisa, aglutinada em semicoisas, que já não posso reconhecer, olho para o espelho e não posso me ver.

- Merlin


Na Vitrola: Vivo - Lenine

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Primeira Pessoa do Plural

   Hoje minha garganta acorda cerrada. São tantas palavras em ebulição no meu peito, que parece que sou incapaz de pronunciá-las. Falo em outra língua para ninguém me entender, já que ninguém pode me entender. As perguntas cortam meu pescoço e o sanque jorra sem resposta.
  Por que eu procuro tanto pelo amor, quando na verdade sei que ele está acumulado dentro de mim?
  Por que insisto em buscar esse al amor com tamanha veemência se quando o vejo tão perto, fujo?
  Por que tenho tantas terceiras pessoas do singular, quando na verdade quero voltar a conjugar a minha vida na primeira pessoa do plural?
  Por que ela simplesmente não foi embora, mas também levou a metade de um todo? E agora, quem pode me ensinar a viver com essa semivida, com semipaixões que não possuem ao menos a capacidade ou a força de ensaiar um semiamor?
  Por que quando eu acordo já não tenho vontade de olhar pela janela e tentar enxergar o que há depois do sol?  
  Por que não consigo ver a verdade nos olhos de ninguém, apenas um silêncio que aterroriza o espírito?
  Por que já não posso sentir na boca o gosto da esperança? Mas ouço muito bem as dúvidas que se reproduzem no meu peito.
   Parece que eu perdi o siginificado de mundo, de humanidade, de realidade. Parece que perdi o tino, a razão, o motivo, a mão. E às vezes, até parece que eu já não sou mais eu. Que me separei de tudo e qualquer idéia.
   Não sou capaz de me entender, analisar ou cmpreender. Não posso morrer ou viver. Então o que me resta? Partir ou ressurgir? Nada. Sigo apenas livre por caminhos que não existem, insisto em amar pessoas que não existem e desejo coisas que já não podem existir.

- Merlin


Na Vitrola: Quase um Segundo - Cazuza

terça-feira, 16 de novembro de 2010

EU

Eu não sou A mais BONITA, nem tenho o mais LINDO SORRISO. Eu não me pareço com uma BONECA e não tenho todos os ideais de BELEZA. Eu SONHO acordada e CHORO sem razão. Eu DESEJO um conto de fadas, mas o que eu já vivi me fez MUITO FELIZ.Eu posso ser muito QUERIDA, mas também posso ser INSUPORTÁVEL quando QUERO. Eu já fiz juras de AMOR e já chorei por elas. Eu conheço muitas pessoas, mas posso contar nos dedos quem realmente CONSIDERO como amigo de verdade. Eu já sentei em frente ao computador e tentei RESOLVER minha vida através dele. Eu ACREDITO em destino, mas sempre fui vítima das coincidências. Eu já VIVI um grande amor que nunca saiu dos meus sonhos. Eu já FIZ grandes amigos e com eles grandes PLANOS. Eu já ERREI muito e tive a capacidade de admitir meu próprio erro. Eu já fui perdoada e também já perdoei. Eu já AMEI e talvez nunca tenha sido AMADA, mas nem por isso deixo de acreditar nesse tal AMOR... 

Deposito minhas palavras numa garrafa e peço para as ondas me levarem até você.

Prateleiras Vazias       O Amor é o melhor ator
Que já vi pelos poucos palcos,
Que a vida me apresentou.
Esse mesmo Amor
É o único diretor,
Dessa mesma vida
Que nunca me presenteou.
Vejo tantas cenas se desilusões,
Dor e sofrimento,
Será que jamais vou deixar de acumular,
Vez por vez,
Mais e mais ilusões?
Procuro a sessão de comédias românticas,
Mas parecem estar esgotadas
De todas as prateleiras do meu coração,
Já tão pequeno,
Esmagado por toda essa depressão.
Nada em mim
Recorda o que é sorrir.
A solidão sufoca a minha alma
Que não tem força
Nem mais para partir,
Tudo se foi,
Tudo ficou.
O meu amor nunca será despejado
Do meio do meu seio
Já tão sofrido.
As lágrimas que escorrem pelo meu corpo
Deixam minha alma ainda mais dolorida.
As cortinas estão fechando
E as sombras funébres me observam da platéia
Empolgadas com meu fim,
Mas o Amor atravessa todo salão
E continua aplaudindo
O principal ator dos palcos da vida,
Um pequeno coração.

- Merlin

Na Vitrola: Por Onde Andei - Nando Reis