Estou correndo num lugar desconhecido. Quando penso que sei onde estou, caio novamente com um novo obstáculo que surge, sem explicação, sem um manual de instrução. Eu já não sei onde estou, quem sou. Uma menina que insiste em seguir presa num corpo de mulher. Meu espírito voa sem abrigo.
Entre tantos corações apaixonados, amores e desamores, lágrimas e sorrisos momentâneos, me encontro aterrada, atolada entre tantos eus que eu já não posso dominar meu coração. Meus desejos brotam e o peito cheio os põe para fora, cospe e depois degusta o próprio vômito.
Sonho com a paz, mas ela não pertence ao meu lar. Parece que eu não posso nem ao menos pronunciá-la, pois soaria falso. Eu mesma já não me transmito paz. Hoje quando deito e encosto a cabeça no travesseiro, não durmo, não sonho, apenas apago para esse mundo de mentiras ou verdades que não posso ouvir.
Procuro uma descrição palpável para tudo que sinto e arraigado a minha alma já se tornou parte da minha essência, caminho através de melodias, letras, versos e poesias, mas não creio mais nas palavras. Elas voam na poeira do tempo e são esquecidas assim como feitos históricos presos apenas nos livros de história.
Eu não quero a explicação de tudo, não quero saber o certo ou o errado, tudo se confundiu e se fundiu.
Não perco mais o meu tempo em falar, também não perca seu. As pessoas não estão interessadas em ouvir, elas só querem saber o final, o porquê de tudo, o enredo perdeu sua audiência.
Vazia, oca, quanto mais eu falo, mais magra fico, vou me perdendo do espaço e sumindo do mundo. As palavras são o sangue que falta, a vida que não tenho, mas essas mesmas palavras vão chegando ao fim, pois já não há inspiração, não há o porque então. Tudo tornou-se uma coisa, aglutinada em semicoisas, que já não posso reconhecer, olho para o espelho e não posso me ver.
- Merlin
Na Vitrola: Vivo - Lenine
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