Hoje minha garganta acorda cerrada. São tantas palavras em ebulição no meu peito, que parece que sou incapaz de pronunciá-las. Falo em outra língua para ninguém me entender, já que ninguém pode me entender. As perguntas cortam meu pescoço e o sanque jorra sem resposta.
Por que eu procuro tanto pelo amor, quando na verdade sei que ele está acumulado dentro de mim?
Por que insisto em buscar esse al amor com tamanha veemência se quando o vejo tão perto, fujo?
Por que tenho tantas terceiras pessoas do singular, quando na verdade quero voltar a conjugar a minha vida na primeira pessoa do plural?
Por que ela simplesmente não foi embora, mas também levou a metade de um todo? E agora, quem pode me ensinar a viver com essa semivida, com semipaixões que não possuem ao menos a capacidade ou a força de ensaiar um semiamor?
Por que quando eu acordo já não tenho vontade de olhar pela janela e tentar enxergar o que há depois do sol?
Por que não consigo ver a verdade nos olhos de ninguém, apenas um silêncio que aterroriza o espírito?
Por que já não posso sentir na boca o gosto da esperança? Mas ouço muito bem as dúvidas que se reproduzem no meu peito.
Parece que eu perdi o siginificado de mundo, de humanidade, de realidade. Parece que perdi o tino, a razão, o motivo, a mão. E às vezes, até parece que eu já não sou mais eu. Que me separei de tudo e qualquer idéia.
Não sou capaz de me entender, analisar ou cmpreender. Não posso morrer ou viver. Então o que me resta? Partir ou ressurgir? Nada. Sigo apenas livre por caminhos que não existem, insisto em amar pessoas que não existem e desejo coisas que já não podem existir.
- Merlin
Na Vitrola: Quase um Segundo - Cazuza
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