Talvez a verdade seja essa, a loucura me toca e eu já me apoderei dela. Talvez ela seja a única que tenha aberto os braços até hoje, até agora. Talvez eu não esteja mais aqui, talvez eu nunca tenha estado. Talvez tudo soe falso, talvez tudo seja de mentirinha.
Nos apegamos nessa tal realidade para fugir do que realmente temos: sonhos, fantasia, ilusão. Minhas mãos se fecham, mas nada pode ser genuinamente meu, o tempo escorre entre os dedos e eu assisto de pé a vida passar.
Meus pensamentos me atordoam em noites claras, eu fecho os olhos, mas ainda posso ver. Eu olho o espelho da sala, ele está rachado no meio, ele me mostra nua, e eu não gosto do que vejo. Meus defeitos expostos são expulsos por todos os poros, eu tento esconder, mas eles são reluzentes, neon que reflete pela luz que meus olhos já não tem.
A tristeza sente o calor da minha pele tocando suave meu rosto, eu já a conheço, eu sinto. Mas essa maldita saudade sempre vem dilacerando meus pulsos e não me deixa alternativa. Saudade de quem já fui, saudade de quem eu seria, saudade de quem eu poderia ser.
Ela se foi, mas ainda está aqui. Queria ser um super-herói, com poder de manda-la embora da minha cidade, do meu mundo. Mas sinto que como Batman e Coringa, eu sempre teria um novo duelo, então a deixo aqui. E cada um dia mais um corte é feito.
Eu tentei fugir, reagir, sumir, ir, vir, partir e nada consegui. Nada além da mesma dor, da mesma ilusão, o mesmo gosto. O tempo parou, mas na verdade fui eu que congelei, tudo passa e eu permaneço estagnada. A vida me leva com ela, mas eu já desisti de descobri todo resto.
Nada faz sentido, a alegria, a paixão. Seria melhor se todos sentissem a mesma coisa, nada de exaltação ou êxtase, tudo ponderado, medido. Não saberíamos o que é ser feliz, mas no entanto não precisaríamos hospedar a dor e essa abstinência de sentir de novo gosto do amor.
- Merlin
Na Vitrola: A ponta do Iceberg - Jay Vaquer
Nenhum comentário:
Postar um comentário